Mitsubishi Eclipse Cross 4X4: o que falta para vender mais?

A tração integral é destaque, mas o preço pode fazer alguém mudar de ideia?

01/10/2026 - Rods / Fonte: iCarros

Quando se fala de Mitsubishi no Brasil, logo vem à mente o 4x4. A marca sempre se comprometeu em entregar esse tipo de tração em seus carros de diversas maneiras, seja para o off-road pesado ou através de sistemas mais flexíveis e urbanos, como este que testamos no Eclipse Cross, na versão Black, a top de linha.

Enquanto a Triton usa bloqueio mecânico e reduzida, de pegada off-road e trabalho pesado, o Outlander usa a eletrificação para tracionar as rodas, com o emprego de motores traseiro e dianteiro. Já o Eclipse Cross tem tração S-AWC, integral sob demanda e primordialmente dianteira, com acoplamento eletromagnético. Quando o sistema entende que deve, envia força para as rodas traseiras. Este sistema privilegia a aderência e a dinâmica no asfalto.

Mas agora, deixando de falar difícil, o Eclipse Cross se destaca justamente por oferecer o que seus concorrentes de preço sequer sonham em entregar. A marca posiciona seu SUV médio como concorrente de Jeep Compass, Volkswagen Taos e Toyota Corolla Cross. Acredito que isso se deva a questões técnicas, mas a percepção de tamanho do carro na vida real me fez relacionar o Mitsubishi às versões mais caras de Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Jeep Renegade e demais players. Apesar de ser posicionado entre os SUVs médios, ele tem porte visual de SUV compacto.

Tamanho é documento?

Claro que o leitor do icarros não será passado para trás ao chegar a uma concessionária da marca e encontrar o Eclipse Cross frente a frente. Ele tem entre-eixos de 2,61 m, 4 centímetros menor que o T-Cross, enquanto o porta-malas tem 473 litros, 63 a mais que os 410 litros do Jeep Compass, sempre no padrão VDA de medição. Ah, e aqui contamos com abertura e fechamento elétrico da tampa traseira, uma comodidade a mais.

Outra medida importante para o aspirante a dono de SUV é o vão livre do solo. Aqui são 21,5 centímetros de espaço entre o chão e o primeiro ponto de contato da parte inferior do carro. Ainda comparando, o Toyota Corolla Cross tem apenas 16,1 centímetros neste aspecto. Já deu pra notar como o Eclipse Cross flerta entre ser um SUV compacto e médio?

Outro motivo que faz o carro parecer menor é a queda acentuada do vidro traseiro e da coluna C. O visual agrada quem procura por um SUV equilibrado, sem deixar de ter personalidade própria, evitando parecer com outros SUVs por aí.

Diferente, mas igual.

A gente já superou aquela conversa sobre o uso do nome de um esportivo icônico num SUV urbano, certo? Se você ainda acha isso uma heresia, não vou tentar mudar sua ideia. É papo pra outra hora.

O Mitsubishi Eclipse Cross 4x4 Black 2027 tem linhas bem japonesas em seu design, e você nota isso rapidamente. Discrição, intenção e funcionalidade. Não que seja um carro que passe batido na rua, longe disso.

Na frente, a grade em black piano apoia o logo cromado da marca e abriga o radar do ADAS. No conjunto de iluminação superior, DRL em LED e luzes de seta. No conjunto inferior, tanto o farol baixo quanto as luzes de neblina usam projetores de LED. Vale destacar que, nesta versão, há sistema de lavagem dos faróis, equipamento quase em extinção por aqui.

A silhueta lateral é moderna, com um pequeno rack de teto, moldura cromada no DLO, ou mais conhecida como área das janelas, um grande retrovisor com as setas laterais integradas e, mais embaixo, rodas de 19” exclusivas desta versão, em liga-leve e escurecidas. Os pneus são de uso urbano, com as medidas 235/45 R19.

E, pra fechar, na traseira temos lanternas com elementos luminosos mistos em LED e lâmpadas incandescentes. Sem apelar para o uso do heckblende, a Mit preferiu seguir com lanternas individuais, sem interligações. O spoiler é grande e combina bem com o visual cupê do SUV.

Falta um frescor no visual? Parece que você está vendo um ASX ou mesmo o Eclipse Cross da primeira leva? Claro que não, mas sutilmente você encontra o passado no presente.

É gosto pessoal, mas prefiro ver o Eclipse Cross na cor azul Baikal, enquanto as rodas poderiam ser aquelas sem o escurecimento. A cor azul passa um refino a mais para o carro, enquanto as rodas parecem ser maiores e conferem robustez ao conjunto. Claro, é só uma sensação, uma impressão pessoal, mas, por se tratar de uma versão chamada Black, faz muito mais sentido esse tom de cinza na carroceria e nas rodas.

Downsizing bem-vindo?

Assim que agendamos o teste do Eclipse Cross, fiquei curioso para saber como seria dirigir um carro de tração integral sob demanda com apenas 165 cv, mas logo notei algo a mais aqui.

Debaixo do capô temos um motor de 4 cilindros, turbo, só à gasolina, sem eletrificações. Ele tem 1.5 litro, 165 cv de potência e 25,5 kgfm de torque. Ligado a ele temos uma transmissão automática do tipo CVT com 8 marchas simuladas e, como já falamos no começo do texto, a tração é integral sob demanda.

A aceleração de 11,1 segundos não é empolgante, mas mantém a casa em ordem. O SUV pesa 1.570 kg, o que não é muito, especialmente se considerarmos que o carro leva o sistema 4x4, teto solar duplo e boa dose de equipamentos.

Combine a suavidade do câmbio CVT com o motor 1.5 turbo, que vai entregando fluidamente, sem arroubos ou sustos, a força dos 165 cv. A entrega é bem linear e mais do que o bastante pra te fazer se sentir num carro confortável na cidade. Na estrada, as retomadas surpreendem nas faixas mais baixas, como entre 60 km/h e 80 km/h.

Mas o ponto que carece de melhoria é o consumo. Oficialmente, o Eclipse deveria fazer 10,2 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada, porém consegui marcar médias de 8,5 km/l e 11,7 km/l, respectivamente, isso com certo esforço pra me comportar e manter o consumo num nível racional.

A gente fica sonhando com um Eclipse Cross PHEV, que já existe no Japão, mas, pra isso acontecer por aqui, das duas uma: ou o Eclipse ficaria muito mais caro como importado, ou levaria meia década para a marca adaptar sua linha de montagem na planta de Catalão, em Goiás.

Enfim, tudo isso pra dizer: acho que vai ficar por isso mesmo, galera.

2 tetos, um mesmo ambiente.

O recurso do teto solar do Eclipse é interessante. Em vez de ter uma única peça, ele tem duas, com divisória interna, sendo que apenas a peça que atende aos passageiros do banco da frente tem possibilidade de abertura total, enquanto, na traseira, apenas a persiana se movimenta. A parte mais legal é que, por fora, parece ser uma peça única.

A gente sabe que isso não é uma novidade, mas, em um mercado cheio de mesmices suvzísticas, qualquer novidade sempre é bem-vinda.

O acabamento do Eclipse é bem pensado. Muito soft touch no painel e portas dianteiras, cromados nas maçanetas, bons plásticos e bancos com couro perfurado e suede.

E isso já colocaria o Eclipse Cross em uma posição interessante diante de vários concorrentes, mas a coisa fica mais interessante: o motorista conta com regulagens elétricas e aquecimento no banco, head-up display, grandes e bonitos paddle shifts estáticos, ao estilo do Lancer, multimídia de 12” com Apple CarPlay e Android Auto sem cabos, 7 airbags, ADAS completo com ACC e freio de estacionamento eletrônico, só para mencionar alguns dos principais equipamentos.

A gente fica mimado com tanta coisa ofertada a bordo. É muito bom mesmo!

Como anda?

Começo pelos pontos positivos: no Eclipse Cross você estará num SUV confortável de verdade dentro do tema urbano: suspensão macia, boa visibilidade e boas retomadas.

Achei curioso não ter um sistema Start-Stop, que invadiu os carros mais atuais. Bom, uma chatice a menos, né?

Agora, na estrada, o jogo muda um pouco. A suspensão macia da cidade faz o carro adernar bastante, mesmo sob pouca influência, fazendo os passageiros balançarem além da conta. O ruído de rolagem dos pneus quando se está a 100 km/h ou mais supera o aceitável a bordo. Muitas vezes tive que subir o volume do rádio acima do ideal por causa dessa briga sonora.

Um carro com boa ergonomia realmente se comprova depois de algumas horas ao volante. De São Paulo até o Rio de Janeiro com o Eclipse, acabou me cansando um pouco, especialmente porque não correspondo à média nacional: tenho 1,84 m de altura e quase 95 kg.

Depois de horas ao volante, senti que precisava de um banco mais largo, que o puxador da porta estivesse mais alto para meu joelho parar de bater ali e que o volante tivesse maior range em sua regulagem de profundidade. Bateu saudades do Outlander, que testei uma semana antes.

Apesar disso, faz total sentido. SUVs urbanos são feitos para serem os melhores na cidade e, claro, pra você usar na estrada, sempre lembrando que é na cidade que esses carros se mostram ótimos.

Criando um paralelo, é como os pneus de uso misto 70/30. Neste caso, um produto com foco maior na cidade do que na estrada.

Qual o valor do cheque?

A unidade testada custa R$ 224.990. Sim, mais caro que os concorrentes top de linha dos segmentos compacto e alguns do médio.

Mas não se esqueça que você estará levando o sistema de tração mais que recomendado e apreciado da Mitsubishi, que ajuda a preservar a aderência em curvas e sob chuva, além de entregar uma margem maior de segurança em estrada de terra e lama leve. Além disso, é um dos SUVs mais bem equipados do mercado.

Se você não precisa do sistema de tração e de tantos equipamentos, mas curtiu o design do Eclipse Cross, a nova versão GLS de R$ 155.990 vai te atrair, com toda certeza.

O Mitsubishi Eclipse Cross tem seu próprio caminho na marca. Ele não é um novo TR4, não é um mini Pajero e nem tenta fazer referência ao carro que empresta o nome. Ele é o produto deste século e deste momento da Mitsubishi. E ela fez isso muito bem, e parece que, com o tempo, ele só vai melhorar.

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